Em busca dos tempos modernos

Por: Marcos Antonio Araujo

No último 25 de maio é comemorado o dia da indústria, mas essa data não é somente uma data comemorativa, mas uma oportunidade para debater a importância da indústria no desenvolvimento econômico e social do país. Segundo os dados da FIESP, a indústria fechou em 2016, 11 mil postos de trabalho devido à crise da atual conjuntura nacional. Mas esses números não são somente reflexos da crise econômica que o país atravessa, mas uma soma de variados fatores.
Nesse mesmo cenário, vimos um país que desponta como um dos maiores produtores de commodities (veja mais no link: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/commodities.htm). Apresentando uma grande extensão de terras férteis para plantação e riqueza mineral diversificada, com isso, temos um país que sobrevive graças aos números positivos gerados pelo agronegócio. Mas desse panorama, não há somente pontos positivos, em sentido econômico, porém um sistema que depende necessariamente do agronegócio e da dilapidação de nossas riquezas minerais sendo produtos de baixo valor agregado, fazendo com que o Brasil não se enriqueça verdadeiramente.
Sendo assim, a economia brasileira não deve ser dependente do agronegócio, e sim ter uma política de estado para a reconstrução da sua indústria nacional. Nesse caminho, a política de estado, adotada, deverá ter como regra, três palavras que se cruzam em um desenvolvimento econômico rico e sustentável: tecnologia, inovação e principalmente um fator chave a educação. Uma educação transformadora, para formar novos cidadãos cientistas que prepararam o Brasil para os tempos modernos que virão e nada mais propício que escola, para jogar a semente do progresso.

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Globalização – faz mal ao bebê?

Na Mosca Convida: Abraão Marques Aguilera Leite, aluno do Ensino Técnico Integrado ao Médio.

O mundo globalizado gera em nós a sensação de que estamos cada vez mais próximos de alcançar o ápice de nossos dias. A informação aparenta ser concreta, quando na verdade algumas informações (desnecessárias na maioria das vezes) chegam a nós sem a necessidade de certo esforço (temos como exemplo os E-books e o serviço de Streaming, que substituem cada vez mais as bibliotecas e lojas de discos). Essa confusão que percorre da facilidade à consistência das informações colabora para nos tornarmos consumidores ao invés de cidadãos, nesse enorme globo onde as aparências moldam o status e o ego cada vez mais presentes em nosso cotidiano.

E como podemos relacionar esses fatos com as crianças da sociedade globalizada e distinguirmos de factoides? Percebe-se a preocupação de sociólogos contemporâneos em relação à população infantil, um belo exemplo ocorrido no Brasil foi a coibição e maior fiscalização em relação a venda casada de produtos infantis. Podemos perceber que os moldes do consumismo tem facilidade em relacionar a imaginação da criança aos ideais de consumo. Como as propagandas que relacionam personagens de influência com produtos de consumo elevado estatisticamente no meio dos jovens, desde os brinquedos aos fast-foods e seus respectivos brindes. Usando o exemplo acima, é um erro acreditar que esses problemas só se aplicam aos dias de hoje. Pois desde o princípio da globalização, as crianças são afetadas pela aceleração dos reinos e grandes metrópoles.

Começando pelas grandes navegações até o período de escravidão, onde jovens já nasciam predestinados e sendo propriedade de fazendeiros em plantações de Cana-de-açúcar. Podemos perceber também como o êxodo rural e a Primeira Revolução Industrial levou os jovens ao trabalho, gerando excesso de responsabilidade precoce, dando ao jovem o papel de diminuir a precariedade em famílias estabelecidas na periferia da Inglaterra. E com o passar dos séculos, com a evolução técnico-científica em meados dos anos 80, o princípio da era digital, chegamos então aos dias de hoje, vivendo o capitalismo informacional, fase teorizada por Manuel Castells, em sua renomada obra “Sociedade em Rede”. Nessa fase, o eixo infantil se torna um dos centros das atenções, pois à publicidade e ao consumo, os mais influenciáveis são os mais vulneráveis. A abolição do ambiente lúdico tem se tornado problema direto á infância. O uso da imaginação tem como consequência a perda de uma fase essencial para a nossa construção social.

Quando Antoine de Saint-Exupéry escreve em “Le Petit Prince” que todas as pessoas grandes foram um dia crianças e que poucas se lembram disso. Gera em nós a dúvida, estamos no caminho certo a respeito da infância? Seria mesmo esse o ápice de nossos dias? Percebemos e concluímos então que o avanço tecnológico vem acelerando o processo de adultização desenfreadamente. Causando muitos problemas sociais como a erotização precoce, a exposição e o incentivo imposto à juventude em adentrar o mundo das aparências (citado por Karl Marx em “O Capital”), a dependência de informações, sobrecarga e pressão social, formando jovens com traumas e problemas de saúde como PMR (perca de memória recente), e vários outros distúrbios, que se citados, teríamos mais que duas colunas de texto. E se nessa enorme “metrópole acelerada”, teve tempo de ler até aqui, encontre um espaço em sua agenda para perceber e praticar certa resistência à sua dependência tecnológica, deixe o PDF de lado, visite uma biblioteca, desenhe, escreva mais do que digita e perceba que a vida vai além do grande mundo virtual, somos maiores que isso.

Somos pequenos gigantes, nesse minúsculo enorme globo, perceba o quão único você é, ainda há tempo!

A Abolição da escravidão, não terminou!

Por: Marcos Antonio de Araújo
Em 13 de Maio de 1888, tinha fim, umas das páginas mais tristes da nossa história, a escravidão. Foram mais de três séculos, de que o povo africano, foi arrancado de suas terras para ser mão de obra além-mar. Já passado mais de um século da abolição e sendo o último país a abolir a escravidão nas Américas, temos ainda essa forma perversa viva nas relações de trabalho.
Nas palavras do abolicionista Joaquim Nabuco, a escravidão permanecerá por muito tempo como característica nacional. Essas palavras confirmam que a chaga da escravidão ainda está presente na vida de milhares de brasileiros e estrangeiros. Uma breve pesquisa nos gráficos do site Repórter Brasil http://reporterbrasil.org.br/dados/trabalhoescravo/, afirma essa premissa, que a escravidão ainda continua fazendo vítimas, sendo um assunto silenciado pelos grandes meios de comunicação.
Mas por que desse silêncio? Isso deve ao modelo capitalista e globalizado, fazendo com que empresas adotem um modelo para a maximização dos lucros e diminuição dos prejuízos. Vemos também, esse tipo notícia não apresenta relevância nos grandes conglomerados de comunicação, por que as próprias são sustentadas por dinheiro advindo das empresas que praticam a escravidão.
Um outro ponto recorrente, é que as grandes marcas utilizam de atravessadores para a terceirização da mão de obra, vimos nesse cenário que as empresas procuram ficar isentas em relação as obrigações trabalhistas, além de distanciar a sua imagem em um tema tão delicado.
A escravidão moderna tem como vítimas, pessoas de diversas origens, uma população marginalizada, que é obrigada a trabalhar por casa e comida, para sobreviver num mercado tão desigual e cruel. Precisamos do fortalecimento da justiça do trabalho e veiculação da lista de empresas que praticam trabalho escravo e responsabilidade das empresas em toda sua cadeia de trabalho.
Hoje, devemos estar atentos a lei da terceirização já aprovada pelo Congresso Nacional e as reformas trabalhista e previdência que nesse momento, se encontram em processo de tramitação, podendo tornar-se um retrocesso nas leis que foram conquistadas através de muito sangue e luta. Não podemos aceitar esse afronte, onde novas embalagens apresentam características de velhos hábitos.